quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sheik do Dubai Patrocina Cartazes em Homenagem ao Papa Francisco


O Wikipedia descreve Mohammad Bin Rashid Al Maktoum,  como onorificamente chamado de Sheikh Mohammed, atual primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, além de ser emir de Dubai

Dubai costuma ter muitos problemas relacionados ao não respeito aos direitos humanos. Mas Mohammad lançou em outubro passado a organização Global Tolerance Initiative

Essa organização está fazendo sucesso em Roma por colocar inúmeros cartazes espalhados na cidade em homenagem ao Papa Francisco, saudando o Papa pelos seus "atos de misericórdia e tolerância",

O Papa Francisco foi nomeado "Campeão da Tolerância Global na Páscoa de 2017". A organização convida a todos a seguir o "sábio conselho" do Papa Francisco e "ler a Bíblia com mentes e corações abertos".

A organização diz que além de colocar 300 cartazes em Roma mandou 700 panfletos foram divulgados entre bispos e padres.

Humm... 

Será que a Igreja pode colocar uns cartazes em Dubai?

Será que a Igreja pode ler a Bíblia abertamente e fazer trabalhos missionários na defesa de Cristo em Dubai?

Chesterton dizia que tolerância era a qualidade daqueles sem princípios!

Humm...

Leiam sobre os cartazes, clicando aqui


7 comentários:

Isac disse...

Nem por isso o odio ao papa Francisco de certos grupos islâmicos amaina, como o ISIS, que já lhe relatou sem rodeios que o odeia!
Os componentes dessa ideologia totalitarista, ao modelo dos comunonazifascistas, embora envernizada de religião odeiam-se reciprocamente e guerreiam desde sua fundação, como xiitas x sunitas!
Como todas as religiões pagãs, promete prazeres carnais, sexo após a morte!

Anônimo disse...

Olá, Pedro!

Muito obrigado pela informação, não conhecia a origem da instituição que distribuiu os cartazes. Realmente me pareceu muito estranho esse fato.

Fiquei um pouco intrigado com a frase de Chesterton: "tolerância era a qualidade daqueles sem princípios!".

Uma vez li uma frase creditada a Garrigou-Lagrange: o católico é intolerante por princípio porque crê, mas tolerante na prática porque ama.

É certo que nossa Fé não pode ser partida ou diminuída em nome de uma suposta tolerância. A Verdade não pode ser partida ou relativizada; se assim for, já não é mais a Verdade.

No entanto, como diz Santo Tomás na sua aula sobre a Caridade, a diferença entre a Lei de Moisés e a Lei de Cristo é que aquela afasta do mal pelo temor, esta, pelo amor. Uma obriga a mão, outra, a alma. A primeira torna seus seguidores servos, a segunda filhos (livres).

Portanto, se obrigássemos, por exemplo, um homossexual a se casar com uma mulher por força da lei, sob pena de morte, não praticaríamos o Evangelho. Cairíamos novamente na Lei Antiga, negando o Evangelho. O que se pode fazer é converter o homem através da persuasão da Verdade, e não através de "cabresto e freio":

"=9 Não queiras ser semelhante ao cavalo, †
ou ao jumento, animais sem razão; *
eles precisam de freio e cabresto
– para domar e amansar seus impulsos, *
pois de outro modo não chegam a ti'. "
Salmo 31(32)


Acredito que, evidentemente, é necessário certo controle migratório. Concordo que muitos discursos "bonitinhos" e "fofinhos" não são o caminho para um mundo melhor.

Porém não acredito que a intolerância com o próximo seja o caminho. Um cristão, manso e humilde de coração, deve saber tolerar o próximo e procurar sua adesão livre, nunca forçada, ao Evangelho (até porque uma adesão forçada não é verdadeira adesão).

De outra forma, será uma conversão (conversão?) inútil. Útil, talvez, do ponto de vista mundano, mas completamente estéril do ponto de vista teológico.

Colocar muçulmanos, ateus, gays em um "paredón" e fuzilar quem não quiser seguir Cristo não me parece nada cristão, nada evangélico e nada caridoso.

"A mim pertence a vingança e a recompensa" (Dt 32,35), diz o Senhor. Não a nós, que nem sequer conseguimos seguir o Evangelho em nossas vidas.


Grande abraço,

Jonas

Pedro Erik disse...

Caro Jonas,

Muito a dizer sobre seu comentário.

Bom, não creio que haja muita diferença na justiça divina entre o Velho e o Novo testamento. Comento sobre isso no meu livro.

Há sim um enorme avanço, um divino avanço, com a encarnação de Cristo. Mas a justiça é a mesma,como disse o próprio Cristo. Também não me consta que São Tomás viu diferença. Sua frase de são Tomás deve ser posta em contexto. Ele nunca diria que Moisés pregava a escravidão em fé.

Nenhum dos dois testamentos obriga ninguém a não pecar.Nenhum obriga o gay a não ser gay. Mas os dois condenam o comportamento gay como se afastando de Deus. Ser gay é um "pecado que clama a Deus por vingança", assim como o homicídio, nos dois testamentos.

Não é ser intolerante, mas ter princípios. E ter fé em Deus e na salvação humana prometida por Cristo.

Também comento no meu livro sobre a passagem que mencionou em Dr 32,35. São Tomás também comentou e disse haver a vingança humana sadia.

Grande abraço,
Pedro.

Anônimo disse...

Olá, Pedro!

Questão 107 da Prima Secundae e o sermão "In duo praecepta Caritatis et in decem legis praecepta expositio", que tem uma tradução pro português aqui: http://www.cristianismo.org.br/charitas.htm

Se falas de justiça no sentido da homossexualidade ser pecado tanto na Lei Antiga como na Nova, concordo. De fato é um ato contra a lei da natureza, tal qual a masturbação e concordo que Cristo mantém a reprovação, até com mais rigor no sentido moral. O mesmo se aplica ao adultério. Porém, no Antigo Testamento o adultério é punido com a morte, enquanto Cristo poupa a adúltera, mesmo considerando o adultério um pecado gravíssimo, o que fica explícito ao recomendar que não peque mais para que não aconteça coisa pior (o que me parece remeter a morte da alma, que é imensamente pior que a morte do corpo).

Ora, se seguíssemos a Lei Antiga, teríamos de punir com morte todos os adúlteros (jovens que praticam sexo antes do casamento, homens e mulheres infiéis, casais divorciados e casados novamente no plano civil). A Lei de Cristo que aperfeiçoa a Lei Antiga não nos permite isto, como fica evidente no caso da mulher adúltera. Claro que o adultério continua sendo pecado, e Cristo é mais rigoroso até, porque exige um cumprimento interior dos mandamentos, um cumprimento por Caridade.

É óbvio que é errado o adultério, e assim o considero, mas convivo com pessoas que vivem nesse pecado e procuro a conversão das mesmas, não por meio da violência, mas pelo convencimento através de palavras e exemplo.

Claro que o Direito Penal deve existir, para permitir a paz entre os cidadãos e o respeito aos direitos. Neste sentido, concordo que o homem pode aplicar determinada "vingança", como no caso de um estuprador, de um homicida, etc.

Quando falo de tolerância me refiro a pessoas com falhas morais como o adultério e a homossexualidade, com os quais um bom cristão consegue conviver sem grandes problemas, mantendo seu padrão moral e seus princípios; eles fazem mal a si mesmos, e é necessários ajudá-los se pudermos e como pudermos, sem no entanto obrigá-los contra sua própria vontade. Da mesma forma com pessoas de outras religiões: não consigo perceber porque não posso ajudar outrem somente porque ele é judeu (ou evangélico, ou muçulmano, ou budista) e eu católico; e, sinceramente, acho que é essa prática indistinta da caridade que marca o espírito católico e é no mais das vezes o que chama à conversão do pecador.


Grande abraço,

Jonas

Pedro Erik disse...

Claro que os cristãos devem praticar caridade a todos sem distinção, pode ser gay, adúltero, etc. Mas também devem saber e dizer a eles, se couber, que o que eles fazem ofende a alma deles e os afasta de Deus. Dizer isso não é ser intolerante. É ser caridoso.

Claro também que no Velho Testamento há passagens que se prega a morte para adultérios.

Mas lá também há amor aos pecadores e aos inimigos.

Como explico no meu livro a noção de certo e errado é a mesma. O método de corrigir foi aperfeiçoado com Cristo entre nós.

E nenhum obriga ninguém a ser nada.

E quando Chesterton diz que a tolerância é o princípio dos sem princípios, ele fala daqueles que não combatem o pecado, o erro. Fala daqueles que relativizam a verdade.

Vou ver a parte de são Tomás que você enviou.

Obrigado, irmão.
Abraço,
Pedro

Anônimo disse...

Não, eu quem agradeço pela conversa. :D

É sempre bom conversar com homens que argumentam com a lógica e razoabilidade.

Sempre escrevo o que penso porque tu sempre me ajudas a pensar melhor.


Grande abraço,

Jonas

Pedro Erik disse...

É uma honra te-lo como leitor,meu amigo.
Obrigado pela sugestão de leitura de são Tomás.

Grande abraço,
Pedro